O Planejamento Urbano e o espaço do Futuro

“Um grupo de cientistas perguntou a um supercomputador se Deus existia. A máquina pediu então que todos os computadores disponíveis fossem reunidos em uma rede. A cada vez que a pergunta era feita, ‘Preciso de mais memória’, repetia a rede de computadores. Os cientistas interligaram todas as redes do mundo e fizeram a pergunta novamente. ‘Mais memória’, foi a resposta. Então eles integraram todas as redes, todos os bancos de dados, todos os vídeos-games, todos os satélites, todos os telefones, os eletrodomésticos e redes de televisão...
‘Deus existe?’ E a Rede respondeu: ‘Agora existe!’”

Meus últimos contatos com o Planejamento Urbano, datam dos anos de 1987 quando defendi tese no IPPUR e depois no IEDES, Sorbonne, em 1988.
Desde então, me afastei da vida acadêmica, e durante os últimos sete anos me dediquei, como empresário, a atividades de edição (utilizando recursos de informática) e produção de eventos na área da cultura.
Neste ínterim, canalizei minha atividade “intelectual” (enquanto esforço “intelectual-cerebral” como diria Gramsci) (Gramsci, 1974, pág. 195), para um curso de pós-graduação em Marketing.
Quando terminei este curso, e passando um momento de reorganização de minha atividade, julguei que era chegada a hora de voltar a respirar um pouco do ar puro do Olimpo dos Deuses: a Academia. E comecei a pensar no assunto que me interessaria trabalhar academicamente.
Algumas questões fervilhavam em minha cabeça. O curso de Marketing me colocava questões sobre os dilemas das empresas e seu processo de modernização constante; a revolução do seu espaço organizatório e conceitual em função da velocidade que ganha o mercado; a produção e a introdução de novas tecnologias; a “Reengenharia”, a “Desconstrução” e as novas formas de organização das empresas. A convivência com a cultura, com a informática e as novas tecnologias me apontava um campo de reflexões (comunicação em tempo real, Internet, o mercado eletrônico, etc.) que eu nunca tinha enfrentado como objeto de uma prática teórica acadêmica.
Pensava em tudo isto e em fazer o doutorado do IPPUR, quando me caiu entre as mãos o folheto do VI ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR que colocava o tema “Modernidade, Exclusão e Espacialidade do Futuro”. “Grande oportunidade’ me disse eu, ‘a oportunidade, talvez, de ouvir falar dos problemas intelectuais que me afligem”.
Li ansiosamente os temas que compunham o encontro: “Estado e Planejamento Urbano e regional”, “Urbanização, Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente”, “História, Preservação e Espaço Urbano”, etc., ...onde será que eu ouviria falar dos problemas do futuro, do 3º Milênio? Não consegui descobrir!
As mesas e comunicados talvez avançassem para o futuro, mas li, dissequei, estudei e não encontrei nada mais do que os problemas que vivemos hoje e viveremos ainda neste decênio. Acontece porém que o próximo decênio é o 3º Milênio. E não falamos aqui de aritmética. Ou melhor, poderíamos até falar de matemática já que a velocidade de transformação do mundo obedece a lógica de uma equação exponencial. Basta lembrar que se a idade de nossa espécie é de 8 milênios, 95% das suas invenções humanas de todos os tempos se deram apenas nos últimos 50 anos.

Tipo de arquivo: 
Artigo
Evento / Disciplina / Periódico: 
Anpur 1995
Ano: 
1995

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