Estratégias de Inclusão Digital, a Batalha das Práticas Culturais

Muitas preocupações tem sido manifestadas quanto a “Divisão Digital” e a necessidade de um esforço de “Inclusão Digital” de amplas parcelas marginalizadas da população para não corrermos o risco de aprofundarmos a tão conhecida “Divisão Social”. Mas não podemos dizer que existe um consenso sobre a maneira de fazê-lo. As políticas públicas e a prática de muitas organizações que enfrentam este problema se atêm basicamente ao seus aspectos mais evidentes. Algumas dão mais importância para questões ligada a regulação, outras para a questão econômica. Surgem assim programas cuja preocupação central é a questão do acesso físico, como por exemplo, o programa PC Conectado, a criação de tele-centros, entre outras, que se propõe a enfrentar o problema do acesso econômico às novas tecnologias. Sem desprezar estes aspectos, fundamentais sem dúvida, existe por outro lado a questão cultural. A batalha pela inclusão digital deve se dar em todos os aspectos, mas o mais importante para o seu sucesso, a nosso ver, esta ligado ao que poderíamos chamar de práticas culturais, isto é, a maneira de proceder e as relações que precisam ser estabelecidas para operar estas novas tecnologias. Se não estabelecemos estratégias que dêem sentido e associem a sua utilização a resultados práticos para os setores que se pretende integrar, e de capazes de incorporá-las ao seu cotidiano, os resultados são muito precários. As experiências começam a nos mostrar que a inclusão digital só se verifica aonde estas tecnologias aparecem como instrumentos deste cotidiano e vem associadas a vida comunitária, a cooperação e a solidariedade, como instrumentos fundamentais para sua viabilização. O que nos propomos a debater neste artigo são as estratégias de Inclusão Digital, a luz dos primeiros esforços empreendidos neste sentido.

Tipo de arquivo: 
Artigo
Evento / Disciplina / Periódico: 
V ENLEPICC
Ano: 
2005