Comunidades Virtuais e Popularização da Saúde

Apesar do progresso na produção de medicamentos, técnicas e procedimentos na área de saúde, os resultados são comprometidos por diferenças de contexto e dificuldade de comunicação entre quem cria e manipula estas tecnologias e seus potenciais beneficiários. Para encurtar as distâncias entre ambos, duas iniciativas são utilizadas: a busca de estratégias mais efetivas de comunicação e as atividades de divulgação científica na área da saúde. Na área de comunicação em saúde temos a crítica ao difusionismo e na divulgação científica o recurso à educação não-formal como alternativa a pura tentativa de transferência de “conhecimentos científicos” do “cientista” para o “leigo”. Em ambos casos se trabalhavam com conceitos que identificam informação à “conteúdo” ou “mensagem”, e comunicação à sua transmissão do emissor para o receptor através de um canal. O que se pretende agora é pensar a produção e a construção do conhecimento como um processo social, superando-se a separação entre “emissor” (ativo) e “receptor” (passivo).
Ocorre que as tecnologias de inteligência disponíveis partiam de pressupostos que reproduziam esta separação. Os sistemas simples de comunicação, construídos pelas tecnologias de inteligência precedentes, estruturadas no texto, se organizam em um espaço-tempo determinado, o que transforma qualquer variável espaço-temporal diferente em ruído. Isto aprofunda as diferenças entre culturas tornando inviável sua convivência, pois a homogeneidade do ambiente é uma necessidade. A hierarquia, a estrutura piramidal, a aculturação dos subordinados, as práticas “transmissionistas”, a divisão entre quem “sabe” e quem “não sabe”, entre ativos e passivos, não são males ocasionais, mas características inerentes a este tipo de sistema.
As novas tecnologias de comunicação e em particular a Internet, tem uma lógica diferente. Elas expressam sistemas complexos de comunicação onde é possível o convívio de diferentes culturas, pois cada uma pode ser considerada uma “atualização”, um “ponto de vista” diverso de um mesmo sistema. Elas permitem trabalhar com ambientes heterogêneos onde o conhecimento não é algo transmitido de um para outro, mas o resultado de um ato de comunicação em um sentido mais amplo. Nos sistemas complexos, este ato não pode ser associado à transmissão de mensagens, mas sim a sincronização entre diferentes. Neles não cabe “comunicar” ou “divulgar” ciência, pois o ato de comunicação não é posterior, mas faz parte da produção da ciência.
Nosso objetivo neste artigo é mostrar porque a Internet como espaço de comunicação, podem ser um lugar privilegiado para a educação não-formal e para a popularização da ciência. Isto porque estabelecem um sistema capaz de incorporar diferentes espaços-tempo, práticas e culturas, enfim um conjunto de elementos diversos que se “comunicam” não pelo envio de mensagens, mas pela sincronização promovida por dispositivos construídos a partir de particularidades locais, que se incorporam a uma rede global..
Pesquisas apontam que a pesquisa sobre saúde já é um dos usos mais importantes na Internet. Não é difícil encontrar grupos sobre a saúde da mulher, da criança e da terceira idade, grupos de hipertensos, portadores de Aids, obesos, etc... Mas eles ainda não utilizam as amplas potencialidades e recursos da Internet.

Tipo de arquivo: 
Artigo
Evento / Disciplina / Periódico: 
II Seminário Midia & Saúde Publica: Comunicação em Saúde pela Paz
Ano: 
2007