A Narrativa enquanto Rede: a "descentração" da Narrativa no hipertexto

Em julho de 1945, em um artigo chamado "As We May Think" - um cientista visionário chamado Vannevar Bush, propôs uma possível solução aos problemas originados nas investigações que necessitassem utilizar grandes quantidades de informação. Apesar de não usar a palavra, ele descreveu o hipertexto a partir de um equipamento que ele concebeu e chamou de "memex" e que pode ser identificado ao que hoje é o PC. Apontava então alguns dos requisitos, hoje comuns aos sistemas hipertextuais: rápido acesso à informação, possibilidade de anotações, de estabelecer uniões e caminhos através da informação...
Mas é somente em 1965 que o conceito de hipertexto é cunhado por Theodore Nelson, para descrever documentos, que expressam idéias sob uma estrutura não-linear, em oposição ao formato linear dos livros, filmes e discursos. (Microsoft Press, 1991).
Ao nosso ver, esta forma de escrita/leitura que subverte o conceito de narrativa, até aqui utilizado (o conceito de narrativa, é geralmente utilizado para denominar qualquer relato estruturado em começo, meio e fim), com sua configuração de uma verdadeira rede, não-linear, não seqüencial e "descentrada", tem o potencial de oferecer-se como ponto de partida para a construção de uma nova "linguagem" que viabilize uma nova forma de comunicação/conhecimento, capaz de aproximar-nos do grau de complexidade com que se defronta o homem contemporâneo em sua relação com a natureza, o qual já não é capaz de ser abrangido pela tradicional narrativa lógica, seqüencial, linear e determinista. Neste sentido, o seu estudo pode nos ser muito útil para lançar um pouco de luz à discussão sobre algo que está cada vez mais presente em nosso mundo contemporâneo: as redes, com suas configurações.

Tipo de arquivo: 
Artigo
Evento / Disciplina / Periódico: 
WORKSHOP SOBRE REDES
Ano: 
1996

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